

Considerada a maior e mais importante obra no Brasil durante todo o século XVIII, o Aqueduto da Carioca atravessou o tempo, ostentando através da história a capacidade do ser humano de criar soluções, vencendo obstáculos e barreiras.
Gonçalves de Magalhães, na Confederação dos Tamoios, dedica ao rio Carioca e ao aqueduto parte do seu poema e Araujo Porto Alegre, o poeta de Brasilianas, descreve a monumental obra colonial que, desde o Corcovado, em amplas curvas, alcançava os morros de Santa Teresa e Santo Antônio e despejava suas águas em tanques, depois de percorrer 6.600 metros (compreendendo, só os Arcos, 270 metros, segundo a Carta Cadastral).
É o único aqueduto do mundo utilizado como viaduto para um bonde; e no início do século passado simbolizava a boemia e a malandragem de boa índole do carioca.
Os Arcos da Lapa são, assim como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, símbolos da cidade do Rio de Janeiro, reconhecidos internacionalmente. São a porta de entrada para o mais fervescente reduto cultural do Rio, e representam o ponto de encontro das mais variadas pessoas.
"a obra mais monumental empreendida no Rio de Janeiro durante os tempos coloniais". (Moreira de Azevedo)
Diante de toda sua importância histórica e cultural, os Arcos da Lapa finalmente estão sendo submetidos à mais importante restauração de seus 260 anos de história.
Restauração que deixará como legado um registro diário minucioso de imagens, além de uma vasta documentação obtida no decorrer da obra, através de estudos estruturais, arquitetônicos, históricos e arqueológicos nunca antes realizados.
Será lembrada também pela transparência das ações, e por seus inúmeros mecanismos de comunicação social, inéditos em obras desse tipo.
Todas as inúmeras intervenções inadequadas realizadas no passado estão sendo removidas. Canos de ferro e PVC, postes, caixas de luz, reparos de cimento, isoladores de fiação elétrica e outros corpos estranhos estão sendo removidos dos arcos e de seus pilares, pegões. Com isso as características originais da estrutura de cal, pedras e tijolos maciços estão sendo restauradas com fidelidade, respeitando a obra e sua história.
Além da inédita restauração, que está sendo realizada dentro de rigorosos critérios técnicos preceituados pelo IPHAN, a atual restauração ganha importância histórica também pelas transformações que fomentou em todo o entorno dos Arcos.
Tamanha intervenção gerou demandas inadiáveis do ponto de vista de urbanismo e conservação na área. E assim os Arcos acabaram ganhando câmeras de vigilância, um posto permanente da Guarda Municipal, uma equipe de garis especializada, ruas fechadas ao trânsito de veículos nos fins de semana e um importante estudo de reforma da iluminação.
Nesta restauração, tentamos entender a passagem do tempo e suas marcas deixadas no monumento, respeitando-as e restituindo o conjunto. Assim seguimos as idéias de Beatriz Khül da mínima intervenção e foi mantido o status original do monumento.
Apesar de, no momento atual (2010), os Arcos da Lapa se encontrarem completamente restaurados, cabe à iniciativa pública e à população a conservação futura do monumento, da sua arquitetura e da sua memória.
Devem ser desenvolvidos projetos de conscientização em meio à população, assim como de Educação Patrimonial. O povo carioca precisa se identificar com o monumento, se orgulhar e respeitá-lo.